Versátil, ele é o homem das dez profissões artísticas. Jorge Mautner é poeta, cantor, compositor, violinista, pianista, bandolinista, escritor, cineasta, cartunista e artista plástico.
Ele já ganhou um Grammy Latino, com o melhor CD de música popular brasileira em 2003 (“Eu não peço desculpa”, gravado em colaboração com Caetano Veloso), o Prêmio Jabuti de Revelação Literária em 1962, com o seu primeiro livro (“Deus da chuva e da morte”), e é co-autor do sucesso “Maracatu atômico” (com Nelson Jacobina), gravado por Gilberto Gil em 1973 e regravado por Chico Science & Nação Zumbi em 1996.
Na próxima terça-feira, 13, às 19h, Jorge Mautner será a figura central do programa de debates Papo XXI, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108), conversando sobre o seu envolvimento e atuação no Tropicalismo, com o jornalista e compositor Dalwton Moura, o poeta e professor de literatura Carlos Augusto Lima e a platéia presente ao CCBNB-Fortaleza.
Gratuito ao público, o debate acontece dentro da programação especial Tropicália: o Brasil em Transe, que o CCBNB-Fortaleza realiza, desde o dia 1º de novembro até 28 de dezembro, para homenagear os 40 anos de criação do movimento tropicalista.
Gênio das artes e chamado de mestre por Gilberto Gil e Caetano Veloso, Mautner lançou dez discos ao longo de sua carreira. Com mais de 40 anos de estrada, é considerado um dos compositores mais gravados em vida. Compôs músicas para os discos mais recentes de Gilberto Gil, Zé Ramalho, Kid Abelha e Lulu Santos.
Natural do meio jornalístico e literário, gravou seu primeiro LP e mergulhou de vez na música em 1972. Desde então não parou mais. São conquistas atrás de conquistas. Sua última, aconteceu no Grammy Latino de 2003, onde arrebatou através do trabalho Eu não peço Desculpa, em parceria com Caetano Veloso, o prêmio de melhor disco da MPB.
Jorge Mautner, nome artístico de Henrique George Mautner, nasceu no Rio de Janeiro, em 17 de janeiro de 1941. Filho de judeu austríaco e mãe iugoslava, Jorge Mautner nasceu pouco tempo depois de seus pais desembarcarem no Brasil, refugiados do Holocausto.
Esse artista eclético aprendeu a tocar violino aos sete anos com seu padrasto, Henri Müller, primeiro viola da Orquestra Municipal de São Paulo. Na década de 1950 já se apresentava em programas de calouro imitando Jorge Veiga, cantor carioca das décadas de 40, 50 e 60, mestre do samba e da música de carnaval, reconhecido pela malandragem que carregava na voz.
Ícone da contracultura, assumindo a condição de maldito porque seguia a linha de intelectuais inquietos como Arthur Rimbaud e Antonin Artaud, Mautner iniciou a carreira como como escritor e jornalista, tendo publicado seu primeiro livro, "Deus da Chuva e da Morte", aos 21 anos, em 1962.
Em 1965, lançou seu primeiro compacto ("Radioatividade" e "Não Não Não"), e passou a tocar em bares e casas noturnas de São Paulo. Nesse mesmo ano, como "fruto" do seu trabalho, foi exilado e enquadrado na Lei de Segurança Nacional pela Ditadura Militar (que apreendeu o compacto e o livro O Vigarista Jorge) e, segundo o próprio Mautner, um dos primeiros intelectuais a serem punidos, já que os demais somente foram "premiados" quando da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968.
Mas isso não foi obstáculo para Jorge Mautner, que começou a produzir mais e mais. Entre as décadas de 1960 e 70, morou nos EUA e na Inglaterra, onde exerceu intensa atividade literária, musical e cinematográfica.
Em 1972 gravou seu primeiro LP (o ao vivo "Para Iluminar a Cidade") e compôs ao lado de Nelson Jacobina - seu parceiro mais constante - o sucesso "Maracatu Atômico", gravado por Gilberto Gil em 1973 e regravado por Chico Science & Nação Zumbi em 1996.
Gil gravou outras composições de sua autoria, como "Herói das Estrelas" e "O Rouxinol", Gal Costa registrou "Lágrimas Negras" e até Wanderléa faz parte do rol de intérpretes, com "Ginga da Mandinga". Desde a década de 1970 alterna períodos literários e musicais, inovando sempre em sua constante produção.
Ao longo de quatro décadas de carreira, Mautner é autor de vários livros: "Deus da Chuva e da Morte" (seu primeiro livro, pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura, no ano de 1962), "Kaos", "O Vigarista Jorge", "Narciso em Tarde Cinza", "Jardim de Guerra", "Fragmentos do Sabonete", "Panfletos da Nova Era", "Sexo do Crepúsculo", "Fundamentos do Kaos", "Miséria Dourada" e "Fragmentos de Sabonete e outros Fragmentos", entre outros.
Sua discografia também é repleta e com destaques como: Para Iluminar a Cidade (1972); Planeta dos Macacos (1972); Mil e Uma Noites de Bagdá (1974); Bomba de Estrelas (1981/1995); Antimaldito (1985); Árvore da Vida (1988); Pedra Bruta (1992); e Estilhaços de Paixão (1997). Em 1999, seus 40 anos de carreira foram comemorados com o lançamento do álbum duplo O Ser da Tempestade, onde se encontram seus clássicos como “Maracatu Atômico” e “O Vampiro”.
Seu último trabalho coroou sua vitoriosa carreira com a conquista do Grammy 2003, com um trabalho em conjunto com Caetano Veloso. Eu não peço Desculpa retrata, de acordo com Mautner, a celebração da enlaçante amizade e de um encontro eterno de assuntos das paixões humanas e das profecias políticas – tudo isso energizado pelos infames e malignos ataques do terror no dia 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque.
Vale lembrar que Jorge também é o idealizador da "Mitologia do Kaos" (iniciada em 1956), pensamento que perdura até hoje gozando de plena saúde na terra de Pindorama e que apregoa a total modificação da humanidade por meio de um movimento revolucionário anarquista pacifista democrático cultural.
